Chegou ao fim a 1ª volta do campeonato e chegou a altura de efectuar um pequeno balanço a estes primeiros meses de trabalho.
Começo por referir a eliminação prematura da taça diante o Domus Nostra. Uma equipa que está a fazer um campeonato abaixo das expectativas, mas que foi um justo vencedor. A derrota caseira na 1ª mão por 1-4 foi crucial para uma eliminatória que não fomos capazes de “virar” fora de portas (empate a 1 golo). Não sendo um objectivo para esta época, o clube tem já alguma tradição nesta competição, e penso que todos nós sentimos bastante esta eliminação. O grupo, nessa altura, estava a passar pela sua pior fase em termos emocionais e comportamentais, algo que já se tinha sentido na semana anterior, em Penacova, onde empatámos pela 1ª vez para o campeonato, à 6ª jornada. Mas, como diz o ditado, "há males que vêm por bem". Estava na altura de “reunir as tropas” e foi talvez nesse momento que o grupo percebeu a importância da palavra “equipa”. Estávamos a meio da 1ª volta e na jornada seguinte tínhamos um teste importante frente ao União Alhadense. Conseguimos uma vitória difícil, baseada no colectivo, depois de estar em desvantagem já na 2ª parte. Desde então, com maior ou menor dificuldade, temos conseguido ultrapassar as adversidades. Acabámos a 1ª volta com 29 pontos, 9 vitórias e 2 empates, um desempenho memorável não só para o clube, mas também para a história da divisão de honra da AF Coimbra. De facto, desde a já longínqua época de 2006/2007 que nenhuma equipa conseguia terminar a 1ª volta do campeonato sem derrotas. Na altura, a Granja do Ulmeiro concluiu os primeiros 11 jogos do campeonato com 8 vitórias e 3 empates, tendo terminado a 1ª volta com 27 pontos. Em 2007/2008 e 2008/2009 o Vilaverdense e Alfarelense, respectivamente, somaram 28 pontos, com 9 vitórias, 1 empate e 1 derrota; e na época passada o Cernache terminou a 1ª volta do campeonato com 26 pontos (8 vitórias, 2 empates e 1 derrota). Temos também o maior distanciamento relativamente ao 2º classificado dos últimos 5 anos, 5 pontos de diferença para a Prodeco. Até aqui, o fosso entre o 1º e 2º classificados, nesta fase do campeonato, tem sido apenas de 1 ou 2 pontos, com a exepção para a época de 2007/2008 onde o Vilaverdense conseguiu 4 pontos de vantagem sobre o Bruscos.
Não dispondo de dados anteriores a 2006/2007, fico feliz por comandar uma equipa que obteve o melhor desempenho nesta divisão dos (pelo menos) últimos 5 anos, ao final da 1ª volta. Um feito do qual nos devemos orgulhar, tanto mais que o grupo é composto por jogadores que chegaram de diversas equipas, dificultando o entrosamento entre eles dentro e fora do campo, e que na sua quase totalidade não estavam habituados aos meus métodos de trabalho (apenas o Luís Nuno, o João Moura e o Beto haviam trabalhado comigo em Vilarinho do Bairro na época de 2008/2009).
Mas, tudo isto são apenas números e apesar da estatística também nos dizer que o “campeão de inverno” é geralmente o vencedor da 1ª fase (pelo menos tem-no sido nos últimos 5 anos), ela também nos diz que o vencedor da 1ª volta raramente obtém a maior pontuação na 2ª volta, algo que apenas aconteceu em 2006/2007.
De facto, recorrendo novamente a um ditado popular, “quanto maior é o voo, maior é a queda” e foi precisamente o Vilaverdense, na época de 2007/2008 que teve mais dificuldades em “segurar” o 1º lugar no final da 1ª fase, tendo-o conseguido apenas por 1 ponto de vantagem sobre o Bruscos. Nessa altura, o campeonato terminava aí. Desde então surgiu a “Fase Final”, e é aí onde eu quero chegar. Em 2008/2009 o Bruscos voltou a terminar o campeonato apenas a 1 ponto do 1º classificado, na altura o Alfarelense, mas não conseguiu ultrapassá-lo na “Fase Final”, tendo sido o CRIA Alhadense a equipa que mais brilhou, protagonizando uma excelente recuperação, que lhe permitiu alcançar o 2º lugar na classificação final, o que acabaria por lhe valer a subida de divisão. Na época passada foi novamente o Bruscos a terminar a 1ª fase em 2º lugar, a 3 pontos do Cernache. No entanto, desta vez o vencedor da 1ª fase não conseguiu segurar a magra vantagem e entregou o título ao Bruscos, tendo mesmo sido “dobrado” pelo Vilaverdense que foi a sensação da “Fase Final” e foi, também ele, premiado com a subida de escalão.
Tudo isto serve para dizer que é importante orgulharmo-nos dos nossos feitos, é bom para a auto-estima, para a confiança e para a motivação; mas é igualmente importante ter os pés bem assentes na terra e perceber que, até ao momento, percorremos simplesmente 1/3 duma maratona que se decidirá apenas na sua “Fase Final”.
Para o momento, vamos iniciar uma 2ª volta mais difícil do que a 1ª, onde iremos defrontar fora de portas 4 das 5 equipas que partilham connosco os 6 primeiros lugares que dão acesso à “Fase Final”. No inicio da época tínhamos definido como primeiro objectivo atingir essa mesma “Fase Final”. Tal como nas empresas, no desporto os objectivos também devem ser rectificados, seria “negligente” da nossa parte não elevarmos essa fasquia para algo arriscado mas atingível: 24 pontos na 2ª volta, difícil mas alcançável...uma questão de motivação...